terça-feira, 13 de abril de 2010

Cuidado com os contos de fada

Cuidado com os contos de fada


Pode parecer ridículo, mas contos de fada são importantes. Nossos primeiros conceitos sobre relacionamentos, amor, casamento e felicidade são poderosamente influenciados pelas histórias que lemos e os filmes que assistimos. Embora não esperemos que alguém venha experimentar sapatinhos de cristal em nossos pés, temos a expectativa de uma certa quantidade de encantamento no amor e na vida. Procure a mágica da vida diária, a mágica do compartilhar, de dar e receber amor nos pequenos gestos corriqueiros, mas não se encha das expectativas de um conto de fadas no qual a história é unicamente sobre a busca do grande amor, como se ele não precisasse ser construído e mantido dia a dia.

“É uma guerra contra as pessoas comuns, as vidas comuns, as alegrias rotineiras, contra tudo que seja bom e sensato”, ataca a crítica de mídia Sharon Tarver.

Seu alvo? A maneira como a mídia retrata os relacionamentos.

“Temos um modelo básico ali. O modelo de Sintonia do Amor, ou qualquer filme com Meg Ryan, no qual a pessoa perfeita está em algum lugar, esperando conhecer você, se você conseguir encontrá-la. Ou, pior ainda, o modelo Kate e Leopold, no qual a protagonista precisa viajar no tempo e voltar ao início do século dezenove para encontrar alguém que a mereça. A mensagem que esses filmes passam é que os cidadãos estáveis e íntegros ao seu redor nem precisam se candidatar, porque são extremamente sem graça. Elas afirmam: existe alguém perfeito, basta procurar”.

“E veja os péssimos resultados. Noventa e quatro por cento das pessoas de vinte e poucos anos dedicam-se a encontrar a pessoa ideal, sua alma gêmea, para se casar. Alma gêmea! Isso vai dar muito trabalho”.

“O pior”, acrescenta Sharon, “é que adotamos internamente esse modelo de alma gêmea, mas nos casamos com o colega de faculdade, um homem sólido e bom, mas sem o glamour do príncipe encantado. Pense no filme As pontes de Madison. Tenho certeza de que a maioria das pessoas decepcionou-se quando a mulher optou por ficar com o marido, abrindo mão do que é apresentado como o “homem perfeito”. Qual é a mensagem que isso passa? Fique casada com a pessoa digna e honesta que é o seu marido até o grande amor da sua vida aparecer. Quando o encontrar, livre-se do marido!”

Tarver implora às pessoas que entendam que “Cinderela, Príncipe Encantado, Meg Ryan não são reais. Não deixe de usufruir do seu parceiro em nome do homem perfeito que não existe. Não caia nesta armadilha”.

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